Onze da manhã no fim da rua da vila, onde a pedra acaba e começa a areia. Mochila nas costas, garrafa de água já morna, e a decisão parada na sua frente: descer a praia e ver até onde dá, ou voltar duas ruas e pagar alguém para te levar.
A gente tem dez flats na Velha Boipeba, e essa pausa de cinco minutos acontece na nossa porta várias vezes por dia. O hóspede fica ali travado porque ninguém contou quanto custa cada opção, quanto tempo leva e qual delas simplesmente para de funcionar quando a maré enche. Esta é a página que faltava.
Não ter carro é lei, não é charme
Boipeba fica dentro da Área de Proteção Ambiental das Ilhas de Tinharé e Boipeba, criada pelo estado da Bahia em 1992, com 43.300 hectares, no município de Cairu. O trânsito de veículo automotor é proibido na ilha inteira.
Sobram cinco coisas que transportam gente e carga: seus pés, o trator puxando carreta com banco de madeira, o quadriciclo licenciado como táxi, o barco e o carrinho de mão do carregador no cais.
Uma consequência importa mais que todos os preços deste texto. Distância aqui se mede em minutos e em maré, nunca em quilômetro. Uma praia a quarenta minutos na maré vazando pode ficar inalcançável a pé duas horas depois, e não tem dinheiro que resolva isso na hora.
Andar a pé é o padrão e resolve a maioria dos dias
Do cais até o meio da vila são três a cinco minutos de rua de pedra. Da vila até a Boca da Barra, a praia em frente ao povoado, são dois ou três minutos e você nem precisa de sapato. Nossos flats ficam dentro desse triângulo, e é exatamente por isso que eles estão onde estão.
Para o sul, as praias se emendam pela areia firme na maré baixa:
- Vila a Tassimirim: 20 a 30 minutos.
- Vila a Cueira: 40 a 45 minutos, seguindo depois do Tassimirim.
- Vila a Moreré, a segunda vila da ilha: umas duas horas pela areia, se a maré estiver vazando e você tiver saído cedo.
- Moreré a Bainema: mais 20 minutos.
- Bainema à Ponta dos Castelhanos: cerca de uma hora e meia na maré baixa, praticamente sem sombra o caminho inteiro.
Existe uma trilha pelo interior para quando a maré alta come a praia. Funciona, mas é mais puxada: areia fofa, mais sol, sem brisa do mar. Morador usa e não reclama. Turista com bolsa de praia que escolhe essa trilha à uma da tarde costuma se arrepender.
Anotações práticas: chinelo para a areia, algo com sola para a rua de pedra, dois litros de água por pessoa para qualquer coisa depois da Cueira e chapéu. A ficha praia por praia está no nosso guia de praias.
O carregador de carrinho de mão no cais
Quando a lancha encosta, tem homem com carrinho de mão esperando. Isso é trabalho, não é abordagem. Começa em torno de R$ 20 por mala (cerca de US$ 4), e o conselho honesto é combinar o valor antes de a mala entrar no carrinho, não depois de ela chegar na porta.
Se você avisar qual lancha vai pegar, a gente te encontra no cais e resolve isso junto, o que tira a negociação inteira dos seus primeiros dez minutos de ilha. A página como chegar diz qual saída te deixa aqui a que horas.
O quadritáxi, o mais perto de um carro
O quadritáxi é o táxi da ilha. Os motoristas trabalham em dois pontos na Velha Boipeba: o Ponto da Tiririca, nos fundos da vila, e o Ponto do Ribeirinho. A associação publica tabela fixa, e era esta a que estava valendo na última vez que a gente conferiu:
| Trecho |
1 passageiro |
2 passageiros |
| Tiririca a Moreré |
R$ 25 (cerca de US$ 4,5) |
R$ 40 (cerca de US$ 7,5) |
| Moreré a Ribeirinho |
R$ 35 (cerca de US$ 6,5) |
R$ 50 (cerca de US$ 9) |
| Moreré via Monte Alegre a Tiririca |
R$ 30 (cerca de US$ 5,5) |
R$ 50 (cerca de US$ 9) |
| Moreré via Monte Alegre a Ribeirinho |
R$ 40 (cerca de US$ 7,5) |
R$ 60 (cerca de US$ 11) |
Em cima dessa tabela: entrega urgente sai uns R$ 5 a mais por trecho (cerca de US$ 1), corrida entre 22h e 5h tem acréscimo de R$ 5 por pessoa, e cachorro de porte médio ou grande soma uns R$ 15 (cerca de US$ 2,75). O limite é dois passageiros por máquina, mais uma bagagem modesta.
O trecho até Moreré leva uns vinte minutos por estrada de interior. É rápido, é poeira, e nos meses secos você chega da cor da estrada. Óculos escuros mesmo se estiver nublado.
O trator
O trator é a opção mais antiga, mais lenta e mais social: trator agrícola puxando carreta com banco de madeira, saindo da Rua Tiririca. Leva vinte a quarenta minutos até Moreré, dependendo de como a estrada ficou depois da última chuva.
Circulam dois preços e os dois são reais. Fretado para o seu grupo, a carreta sai por volta de R$ 150 (cerca de US$ 27) para uma a seis pessoas e R$ 250 (cerca de US$ 46) para sete a quinze. Rodando como serviço coletivo, o número citado fica em torno de R$ 13 a 15 por pessoa por trecho (cerca de US$ 2,50). Qual vale depende do dia, da temporada e de quanta gente vai. Pergunte no ponto, ou pergunte para a gente.
Vale fazer uma vez pela experiência. Vale pular se você está com pressa ou se sua coluna não gosta de surpresa.
Barco entre as vilas
Da Boca da Barra dá para fretar barco até Moreré, uns vinte e cinco minutos. Os valores citados recentemente foram em torno de R$ 250 (cerca de US$ 46) na lancha pequena, para uma a quatro pessoas, e R$ 400 (cerca de US$ 73) na maior, para cinco a dez. É por barco, não por pessoa, o que deixa a conta razoável para um grupo de quatro e cara para um casal.
Duas ressalvas honestas. O barco depende da maré, então o horário de saída não é você quem escolhe. E de abril a setembro o mar fica mais mexido; tem dia em que não sai. Combine na véspera com a gente ou no cais e deixe o quadriciclo como plano B.
Os passeios completos estão no nosso guia de passeios de barco. A Volta à Ilha sai a partir de R$ 250 por pessoa (cerca de US$ 45), as piscinas de Moreré ficam entre R$ 120 e 125 (cerca de US$ 22) e a Ponta dos Castelhanos, entre R$ 165 e 200 (cerca de US$ 30 a 36).
Tempos e preços lado a lado
| De, para |
A pé |
Trator |
Quadriciclo |
Barco |
| Cais, vila |
3 a 5 min |
não |
não |
não |
| Vila, Boca da Barra |
2 a 3 min |
não |
não |
não |
| Vila, Tassimirim |
20 a 30 min |
não |
não |
não |
| Vila, Cueira |
40 a 45 min |
não |
não |
não |
| Vila, Moreré |
cerca de 2 h na maré baixa |
20 a 40 min, R$ 150 (US$ 27) de 1 a 6 |
20 min, R$ 25 (US$ 4,5) um, R$ 40 (US$ 7,5) dois |
25 min, R$ 250 (US$ 46) de 1 a 4 |
| Moreré, Bainema |
20 min |
não |
não |
não |
| Bainema, Castelhanos |
cerca de 1 h 30 na maré baixa |
não |
não |
em geral no passeio |
| Boipeba, Valença |
não |
não |
não |
cerca de 1 h 30, R$ 63 (US$ 11,5) |
Tudo acima é ordem de grandeza, não orçamento fechado. Combustível, temporada e demanda mexem nesses números. Se um preço ou um horário for decisivo para o seu plano, confirme com a gente no WhatsApp antes de viajar em vez de fechar conta em cima de página de internet.
O que a maré decide de verdade
Três coisas, só três, mas são as três que estragam tarde de gente.
Primeira, o caminho de praia para o sul. Na maré enchendo a areia vai estreitando até o mar encostar na pedra e na vegetação, e aí você vai pela trilha do interior querendo ou não.
Segunda, as piscinas naturais de Moreré. Elas existem como piscina só em torno da maré baixa. Chegar na maré cheia é chegar numa enseada, que é bonita e não é o que você foi ver.
Terceira, barco pequeno. A janela de saída segue a água, não o relógio.
A tábua de marés é pública e de graça, e olhar para ela na véspera são os cinco minutos de maior retorno da viagem inteira. A gente mantém uma impressa na recepção e manda os horários da semana se você pedir.
Depois que escurece
As ruas principais da vila têm iluminação. As praias e as trilhas entre as vilas não têm nenhuma, e não existe transporte noturno regular.
Leve lanterna e lembre que a bateria do celular é também a sua única luz. Restaurante fecha cedo aqui, então voltar para casa às nove da noite é comum e tranquilo dentro da vila. Dá para combinar quadriciclo à noite acertando antes, com aquele acréscimo de R$ 5 por pessoa (cerca de US$ 1) depois das 22h. Andar pela praia entre a Velha Boipeba e Moreré no escuro não é algo que a gente recomende em maré nenhuma.
Onde você dorme decide quanto disso tudo você precisa
Ficando na vila, a maioria dos dias não envolve transporte nenhum: cais, restaurantes, praça da igreja e praia cabem numa caminhada de cinco minutos. Ficando numa praia afastada, quadriciclo e trator viram item do orçamento diário. Como chegar em cada praia saindo da vila, e quanto tempo de caminhada dá, está em as praias de Boipeba, uma a uma.
Uma última coisa prática: não existe caixa eletrônico na ilha. Essa frase é definitiva. Tratorista, quadriciclista, carregador e barqueiro trabalham com dinheiro e Pix, então chegue com real na mão.
Perguntas frequentes
Tem carro ou táxi em Boipeba? Carro não tem. A ilha está dentro de uma área de proteção ambiental estadual criada em 1992 e o trânsito de veículo automotor é proibido. O equivalente ao táxi é o quadritáxi, quadriciclo licenciado com tabela fixa, além do trator com carreta para grupo e carga.
Como ir da Velha Boipeba até Moreré? De quatro jeitos. Quadriciclo, uns vinte minutos, R$ 25 para um e R$ 40 para dois (cerca de US$ 5 a 7), saindo do Ponto da Tiririca. Trator, vinte a quarenta minutos, cerca de R$ 150 fretado para até seis. Barco da Boca da Barra, uns vinte e cinco minutos, em torno de R$ 250 (cerca de US$ 46) para até quatro. Ou a pé pela areia na maré baixa, umas duas horas.
Preciso reservar transporte com antecedência? Para o quadriciclo na vila, não: você chega no ponto. Para barco, sim, porque depende de maré e de tempo. E para qualquer coisa à noite, sim. Mande mensagem na véspera.
Dá para levar mala grande? Dá, mas ela não vai rolar. Areia e rua de pedra acabam com mala de rodinha. Os carregadores trabalham no cais a partir de uns R$ 20 por mala (cerca de US$ 4); combine antes. Bolsa mole ou mochila é muito mais fácil.
Boipeba é acessível para cadeira de rodas ou carrinho de bebê? Em parte. O trecho cais, vila, Boca da Barra é plano e curto, e é onde acontece a maior parte da vida da vila. Passando disso, a areia fofa trava roda comum. Pergunte antes de reservar e a gente diz com honestidade o que existe naquela semana.
Quer o cais, a vila e a praia a cinco minutos da sua porta? Veja os flats e leia como chegar antes de comprar a passagem da lancha.