Quatro e dez da tarde na Boca da Barra e a luz ficou cor de manga. Você veio andando de chinelo desde o cais em menos de três minutos, a sandália nem molhou, e a moça da barraca está perguntando se a água de coco é gelada ou natural. Essa é a primeira praia de Boipeba, e é a que muita gente nunca larga. Este guia existe para as outras cinco também.
Boipeba é uma ilha do arquipélago de Cairu, no litoral sul da Bahia, sem carro. As praias se enfileiram pelo lado leste, da vila até a ponta: Boca da Barra, Tassimirim, Cueira, Moreré, Bainema e Ponta dos Castelhanos. Você vai a pé, de trator, de quadriciclo ou de barco. As distâncias são curtas no mapa e longas no sol, então cada ficha abaixo diz como chegar, o que tem lá e se a praia é do seu tipo.
As seis praias num quadro só
| Praia |
Da Velha Boipeba |
Sombra |
Comida |
Mar |
Para quem |
| Boca da Barra |
2 min a pé |
Amendoeiras, barracas |
Sim, todo dia |
Calmo, foz do rio |
Família, pôr do sol, primeira tarde |
| Tassimirim |
20 a 30 min a pé |
Coqueiros |
Uma barraca, quase sempre |
Calmo |
Banho tranquilo, lagosta no almoço |
| Cueira |
40 a 45 min a pé |
Coqueiral |
Guido, na temporada |
Calmo, claro |
Dia inteiro de preguiça |
| Moreré |
6 km, trator ou barco |
Alguma |
Restaurantes da vila |
Calmo, piscinas na maré baixa |
Snorkel, dormir uma noite |
| Bainema |
20 min a pé depois de Moreré |
Pouca |
Barraca de vez em quando |
Aberto, longo |
Caminhar, ficar sozinho |
| Ponta dos Castelhanos |
Passeio de barco ou quadriciclo |
Quase nenhuma |
Barraca simples em dia de passeio |
Recife, piscinas |
O dia do barco |
Os preços deste guia foram conferidos em 2025 e 2026. Mudam com a temporada; se um número importar para o seu plano, confirme com a gente no WhatsApp antes de viajar.
Boca da Barra: a praia da vila
Boca da Barra é onde o Rio do Inferno encontra o mar, na frente da vila velha. Água calma, fundo de areia, uma curva que deixa você ver as lanchas chegando. É onde você vai tomar o primeiro banho na tarde em que desembarcar, porque o cais está ali e a gente também.
Como chegar: ande até o fim da rua principal. Dos nossos flats são dois minutos, e não precisa de sapato.
O que tem: três ou quatro barracas de cadeira de plástico, cerveja gelada, peixe na brasa e o inevitável peixe frito com pirão. Sombra de amendoeira. Criança no raso. Na maré baixa aparece uma língua de areia e o pessoal vai até a ponta fotografar o rio.
Quando ir: qualquer hora, mas o pôr do sol na ponta do cais é o evento diário. Na alta temporada, do fim de dezembro ao Carnaval, enche às onze. De abril a julho chove em algumas tardes e você pode ficar com a praia só para você.
Para quem: todo mundo no primeiro dia, família todo dia, quem quer uma cerveja com o pé na areia sem planejar nada.
Tassimirim: a primeira sossegada
Continue para o sul passando as barracas da Boca da Barra e a praia vira a Praia de Pedrinhas, um trecho curto de pedra, e depois abre em Tassimirim. Vinte a trinta minutos da vila pela areia firme, caminhada fácil, com uma subidinha se a maré alta empurrar você para a trilha.
O que tem: um crescente longo cercado de coqueiro, água calma, quase ninguém. Tem uma barraca que, na maioria dos dias, serve lagosta, bobó de camarão e moqueca, e é por ela que muita gente escolhe Tassimirim para almoçar. Na baixa temporada pode estar fechada em dia de semana, então leve água.
Quando ir: meio da manhã, com o sol ainda atrás dos coqueiros. Volte pelo mesmo caminho antes de escurecer; a trilha não tem luz.
Para quem: casal, quem lê na praia, quem achou a Boca da Barra social demais.
Cueira: a enseada dos coqueiros
Mais quinze minutos pela areia e você chega na Cueira, que é a praia que vai parar no cartão-postal: enseada rasa, água clara de contar os dedos do pé, e atrás dela um dos maiores coqueirais preservados da ilha. Quarenta a quarenta e cinco minutos no total desde a vila.
O que tem: um mar que fica raso por muito tempo, por isso serve para criança e para quem nada devagar. Um almoço famoso: lagosta na manteiga com banana, na barraca do Guido e da Dona Eliana, uma instituição que funciona sobretudo na temporada. Pergunte para a gente se está aberta na sua semana.
Quando ir: dia inteiro. Leve chapéu, porque a sombra fica no fundo da praia, não na beira. Se pretende seguir a pé até Moreré, saia da Cueira antes do meio-dia e confira se a maré está vazando.
Para quem: o dia de preguiça, a foto que vai virar fundo de tela, família com criança pequena.
Moreré: a segunda vila e as piscinas naturais
Moreré é a outra vila da ilha, seis quilômetros ao sul da Velha Boipeba. Tem pousadas, igreja, um campo de futebol entre os coqueiros e o motivo de a maioria ir até lá: na maré baixa, a mais ou menos um quilômetro da praia, o recife esvazia e forma piscinas naturais onde você boia sobre peixe com água na cintura.
Como chegar: são quatro jeitos.
- Trator saindo do Ponto da Tiririca, nos fundos da vila, uns R$15 por pessoa por trecho em dezembro de 2025, trinta a quarenta minutos de solavanco pelo interior. Barato e divertido uma vez.
- Quadriciclo-táxi, R$25 a R$30 por pessoa, ou R$50 a R$60 para dois, vinte minutos. Mais rápido, mais poeira.
- Barco saindo do cais, vinte a trinta minutos em dia de mar calmo, combinado na véspera.
- A pé pela praia na maré baixa, umas duas horas passando por Tassimirim e Cueira.
O que tem: as piscinas só aparecem na maré baixa, por umas duas horas em torno do ponto mais baixo. Barcos da vila levam por uma taxa pequena, ou você vai andando quando a água está bem baixa. Leve sapatilha e não pise no coral. Os restaurantes da vila são simples e bons: prato para dois como bobó de camarão em torno de R$90 e moqueca de peixe de R$ 90 a R$ 150 nas barracas, preços do fim de 2025.
Quando ir: leia a tábua de marés na noite anterior. A gente explica como no guia de marés. Numa maré de sizígia baixa por volta do meio-dia, é o melhor dia de praia que a ilha oferece.
Para quem: quem faz snorkel, quem quer uma noite longe da vila principal, fotógrafo na maré baixa.
Bainema: a longa e vazia
Ande para o sul de Moreré por uns vinte minutos e a praia vira Bainema, um trecho aberto e comprido onde a areia continua e as pessoas não. Tem uma barraca simples no começo e, lá no fim, mais duas onde às vezes rola festa em feriado. Fora isso é você, o vento e a linha da maré.
O que tem: espaço. Mar mais mexido que nas enseadas, mais correnteza, então nade perto de outras pessoas e nunca na boca dos rios. Pouca sombra. Caminhada excelente na maré baixa, com a areia dura.
Quando ir: de manhã, antes de o sol ficar sério. Leve dois litros de água por pessoa. Avise alguém para onde foi.
Para quem: quem caminha, quem quer uma praia sem trilha sonora.
Ponta dos Castelhanos: a ponta da ilha
A ponta sul de Boipeba tem esse nome por causa de um galeão espanhol que naufragou no recife no século XVI, história que cada capitão de barco conta de um jeito. Hoje a ponta é um farol, um recife que forma piscinas na maré baixa, uma praia de areia branca e o ponto de virada do passeio clássico de barco.
Como chegar: o passeio de volta à ilha, que em 2026 custa cerca de R$250 por pessoa, sai por volta das nove e volta até as quatro. Para nas piscinas de Moreré, em Castelhanos, num banco de areia e na Cova da Onça, vila de pescadores do lado do rio. Também dá para ir de quadriciclo-táxi pela estrada do interior, combinado na vila, ou a pé desde Bainema em uma hora e meia na maré baixa, se você aguenta e sair cedo.
O que tem: em dia de passeio, barracas simples com peixe e cerveja; em outros dias, talvez nada. Piscinas que valem o snorkel na maré baixa. Sol de verdade.
Quando ir: com o passeio, num dia em que a maré baixa caia entre onze e duas. Pergunte para a gente; a gente olha a tábua junto.
Para quem: o dia do barco, quem faz snorkel, quem quer dizer que foi até o fim da ilha.
A maré muda tudo aqui
Cada praia desta lista é outro lugar na maré alta e na maré baixa. A Cueira alarga, Moreré ganha piscinas, a passagem de Tassimirim pode sumir debaixo d'água por umas duas horas. Antes de planejar um dia de caminhada, olhe a tábua de marés de Boipeba; a Marinha publica e vários aplicativos repetem. A gente deixa uma cópia impressa nos flats e escreve a maré baixa do dia na lousa da porta.
O que levar, seja qual for a praia
- Água, mais do que você acha, porque só a Boca da Barra tem mercadinho perto.
- Dinheiro trocado para as barracas; a maquininha depende do sinal do dia.
- Protetor solar que não agrida o coral e chapéu de aba.
- Sapatilha para Moreré e Castelhanos.
- Saco estanque se for percorrer a fila inteira de praias.
Nossos flats incluem kit praia com cadeira, guarda-sol e cooler, então isso você não precisa carregar. Veja na página dos flats o que cada um tem.
Perguntas frequentes
Qual praia de Boipeba é a mais perto da vila? A Boca da Barra. Ela começa no fim da rua principal da Velha Boipeba, a dois minutos do cais e dos nossos flats.
Dá para ir a pé da Velha Boipeba até Moreré? Dá, pela areia na maré baixa, umas duas horas passando por Tassimirim e Cueira. Na maré alta trechos somem, então olhe a tábua de marés antes e leve água.
Tem barraca com comida em todas as praias? Não em todas, e nem todo dia na baixa temporada. Boca da Barra, Tassimirim, Cueira e Moreré costumam ter pelo menos uma aberta. Bainema e Castelhanos são incertas, então leve água e um lanche.
Preciso de passeio de barco para conhecer as praias? Não. Quatro das seis dá para chegar a pé saindo da vila. O passeio de barco é o jeito fácil de ver Castelhanos e as piscinas de Moreré num dia só, por volta de R$250 por pessoa em 2026.
Se você quer a praia da vila na porta e as outras a uma caminhada, veja os flats e depois leia como chegar, porque a última lancha sai às quatro.