Nove da noite, mesa na praça da Velha Boipeba, e o casal da mesa do lado comenta que pagou R$250 na volta à ilha. Você pega o celular para conferir se é caro, o sinal não abre a página, e você guarda o telefone de novo. É caro? Não é. É preço tabelado, o mesmo para todo mundo, e este guia explica de onde vem esse número e o que ele compra.
Passeio de barco em Boipeba não é turismo opcional: é a única forma de chegar em metade da ilha. Não tem carro, não tem estrada saindo da vila, então o recife da Ponta dos Castelhanos, a Cova da Onça do lado do rio e a ilha vizinha de Tinharé só acontecem em cima de uma lancha. Aqui estão a tabela de preços, os horários e a parte honesta: qual passeio vale, qual dá para pular e em que dia o melhor uso de R$250 é não gastar.
Quem tabela o preço, e por que ninguém pechincha
Os barqueiros de Boipeba trabalham por uma associação que regula o transporte marítimo na ilha e fixa o preço de cada passeio. O valor que te falam na mesa da Boca da Barra é o mesmo que o casal do lado pagou e o mesmo que a gente passa quando você pede para a pousada agendar. Não tem barganha, não tem guerra de comissão, não tem site vendendo mais barato.
Isso tem duas consequências práticas. A primeira: agendar com a gente custa igual a agendar na areia, então deixa com a gente. A segunda: o preço do passeio quase nunca inclui comida, e é no almoço que o dia barato vira caro.
Quem vem de Morro de São Paulo costuma comparar com o quatro ilhas e achar Boipeba cara. São coisas diferentes: lá o passeio é de escala industrial, aqui a lancha leva oito pessoas e para onde a maré deixa. Os preços abaixo foram conferidos no fim de 2025 e são o que a gente espera para a temporada 2026. Combustível e temporada mexem nesses números, então manda mensagem no WhatsApp na semana da viagem que a gente confere a tabela do dia.
Todos os passeios de barco de Boipeba num quadro só
| Passeio |
Duração |
Preço 2026, por pessoa |
Sai / volta |
Paradas principais |
Depende da maré |
Para quem |
| Volta à ilha |
Cerca de 7 horas |
Cerca de R$250 |
9h às 10h / 16h às 17h30 |
Piscinas de Moreré, Castelhanos, Cova da Onça, barco das ostras |
Muito |
Quem vai fazer um passeio só |
| Piscinas naturais de Moreré |
6 a 8 horas |
Cerca de R$120 |
Manhã, conforme a maré |
Piscinas e praia de Moreré |
Totalmente |
Snorkel gastando menos |
| Ponta dos Castelhanos direto |
5 a 6 horas |
Cerca de R$165 |
Manhã |
Piscinas de Moreré, almoço em Castelhanos |
Sim |
Quem não quer a caminhada de 2h |
| Boipeba a Garapuá |
4 a 5 horas |
Cerca de R$165 |
Manhã |
Praia do Pontal, em Tinharé, e Garapuá |
Sim |
Quem fica uma semana |
| Batismo de mergulho em Castelhanos |
6 a 8 horas |
Cerca de R$550 |
Saindo de Moreré, de manhã |
Recife de Castelhanos, almoço em Bainema |
Condição de mar, mais que maré |
Primeiro cilindro |
| Lancha privativa até Moreré |
Cerca de 25 minutos |
R$250 para 1 a 4, R$400 para 5 a 10 |
Sob demanda |
Direto, sem parada |
Um pouco |
Mala, chegada tarde |
Volta à ilha: se for fazer um só, faça esse
Duração: cerca de sete horas, da areia à areia.
Sai: da Boca da Barra, na associação de transporte marítimo, entre nove e dez conforme a maré. O barqueiro fecha a hora exata na véspera.
Volta: entre 16h e 17h30.
Preço 2026: cerca de R$250 por pessoa, lancha compartilhada.
Inclui: a lancha, o combustível, marinheiro habilitado e colete.
Não inclui: almoço, bebida, ostra e, em alguns barcos, máscara de snorkel.
O roteiro desce contornando a ponta sul. Primeira parada no recife em frente a Moreré, onde a lancha fundeia e você cai na água em cima das piscinas. Depois a Ponta dos Castelhanos, o farol e a história do galeão que cada capitão conta de um jeito. O almoço é na Cova da Onça, vila de pescadores do lado do rio, quase sempre no Estrela do Mar: lagosta grelhada na manteiga com abacaxi saiu de R$ 140 a R$ 220 no fim de 2025, moqueca de camarão de R$ 90 a R$ 150 e polvo grelhado uns R$100, quase tudo prato para dois. A última parada é um barco ancorado no encontro dos canais, o das ostras: crua uns R$25 a dúzia, gratinada uns R$30, com o sol caindo atrás de Tinharé.
Melhor maré e melhor horário: dia em que a maré baixa cai entre onze e duas. As piscinas são o passeio inteiro, e elas só existem nas duas horas em volta do ponto mais baixo.
O que levar: dinheiro trocado para almoço e ostra, sapatilha de recife, chapéu, camisa de manga longa com proteção, protetor solar que não agrida o coral, saco estanque para o celular e uns R$150 por pessoa além do passeio para comer e beber.
Quando não vale: quando a maré baixa cai às sete da manhã ou às seis da tarde. Você paga R$250 para olhar a água no lugar onde as piscinas deveriam estar.
Duração: seis a oito horas, conforme a janela da maré.
Sai: Boca da Barra, de manhã, hora definida pela maré.
Preço 2026: cerca de R$120 por pessoa.
Inclui: lancha e marinheiro.
Não inclui: comida, bebida e o bar flutuante.
É a versão curta da melhor parte. A lancha desce até Moreré, fundeia no recife e te deixa ali pela maré baixa, com a opção do bar flutuante, onde você come petisco de frutos do mar numa mesa em pé com água na cintura. Como o passeio inteiro cabe dentro da janela de maré, ele depende inteiramente da tábua.
Melhor maré: quanto mais baixa, melhor. Abaixo de meio metro os bancos de areia secam; perto de zero dá para andar entre as piscinas. A gente lê a tábua com você no café, e tem a explicação completa no guia de marés e piscinas naturais.
O que levar: máscara e snorkel próprios, se tiver, porque o equipamento de bordo é loteria, e sapatilha. O coral corta.
Quando não vale: se você já fechou a volta à ilha, que para aqui do mesmo jeito.
Ponta dos Castelhanos direto: a ponta sem a caminhada
Duração: cinco a seis horas.
Sai: Boca da Barra, de manhã.
Preço 2026: cerca de R$165 por pessoa.
Inclui: lancha, marinheiro, parada nas piscinas de Moreré na ida e parada de almoço em Castelhanos.
Não inclui: o almoço.
Dá para chegar em Castelhanos a pé desde Bainema, uma hora e meia na maré baixa, e todo ano alguém tenta isso ao meio-dia em fevereiro e aprende alguma coisa. A versão de barco custa R$165 e entrega as piscinas da ponta, que em dia bom são a água mais clara da ilha. A comida lá é simples: em dia de passeio tem barraca vendendo pastel de lagosta ou de camarão por R$ 140 a R$ 220 e cerveja gelada; em dia parado pode não ter nada.
Melhor maré: baixa no meio do dia. O recife da ponta é exposto e cortante, então sapatilha não é frescura.
Quando não vale: com mar de sul, o que acontece bastante entre abril e julho. Pergunte ao barqueiro e acredite quando ele disser que não dá.
Boipeba a Garapuá: outra ilha pelo mesmo preço
Duração: quatro a cinco horas.
Sai: Boca da Barra, de manhã.
Preço 2026: cerca de R$165 por pessoa.
Inclui: lancha e marinheiro.
Esse sai de Boipeba de vez. Atravessa para Tinharé, a ilha onde fica Morro de São Paulo, para na Praia do Pontal e termina em Garapuá, vila de pescadores com piscinas de recife a poucos metros da praia. É o passeio de quem fica uma semana, já fez a volta à ilha e quer um dia com cara de outro lugar.
Melhor maré: baixa, de novo. As piscinas de Garapuá funcionam igual às daqui.
Quando não vale: se você tem três dias. Três dias são uma volta à ilha, um dia de praia a pé e um dia devagar.
Batismo de mergulho em Castelhanos: o caro, e vale perguntar
Duração: seis a oito horas.
Sai: de Moreré, não da vila.
Preço 2026: cerca de R$550 por pessoa.
Inclui: barco, instrutor habilitado, equipamento completo e batismo até uns catorze metros no recife.
Não inclui: o almoço, que acontece em Bainema.
Batismo não exige certificação, só ouvido bom e mar bom. Aqui a condição do mar pesa mais do que em qualquer outro passeio: a operação cancela se a visibilidade ou a ondulação não ajudarem, e cancelamento nesse caso é boa notícia.
A lancha privativa até Moreré é transfer, não passeio
Todo mês alguém fecha isso achando que era passeio. A lancha pequena da Boca da Barra até Moreré leva de uma a quatro pessoas por cerca de R$250 e faz o trecho em vinte e cinco minutos; a grande leva de cinco a dez por cerca de R$400. É deslocamento, sem parada e sem snorkel, útil para quem vai dormir em Moreré com mala ou perdeu o último trator e já está escurecendo. Para o resto, veja como se locomover na ilha.
Quanto custa de verdade um dia de barco
O preço do passeio é mais ou menos metade do dia. Orçamento por pessoa, em reais de 2026:
- Passeio: R$120 a R$250 nos compartilhados.
- Almoço na Cova da Onça ou em Castelhanos: R$85 a R$150 o prato que serve dois, ou seja R$50 a R$80 por cabeça.
- Bebida ao longo do dia: R$40 a R$60.
- Ostra na parada do pôr do sol: R$25 a R$30 a dúzia.
- Gorjeta do marinheiro, opcional e sempre notada: R$20 a R$30.
Fecha em R$350 a R$400 por pessoa na volta à ilha com tudo. Leve dinheiro em cédula pequena. Maquininha existe nos barcos e na Cova da Onça, e ela depende do mesmo sinal de celular que cai quando o vento vira; Pix funciona quando o sinal funciona; caixa eletrônico na ilha não existe.
Quando o dia de barco não vale a pena
A gente prefere que você guarde o dinheiro a gastar num dia ruim, então vai a lista honesta.
- Quando a maré baixa cai no amanhecer ou no fim da tarde. As piscinas são o produto. Sem baixa no meio do dia, sem piscina.
- De abril a julho, com o mar mexido. Chuva a gente contorna; ondulação não. São sete horas de batida e água turva.
- No dia da chegada ou da partida. A última lancha sai da ilha por volta das 16h e o passeio volta entre 16h e 17h30. Essa conta não fecha, e a gente já viu gente aprender isso do jeito caro. Veja como chegar e também a Ponta dos Castelhanos.
- Com criança de menos de uns quatro anos. Sete horas, sombra intermitente e banheiro nenhum na maioria dos barcos.
- Se você enjoa. Faça o das piscinas de Moreré: menos tempo navegando, mesmo recife.
Como agendar o seu
Pergunte para a gente no dia do check-in. A gente fala com a associação ou com o barqueiro de sempre, passa quantas pessoas são, e a hora volta à noite junto com a maré. Na alta temporada, do fim de dezembro ao Carnaval, agende com dois ou três dias, porque as boas lanchas enchem. Na baixa dá para decidir no café da manhã.
E se a gente disser para esperar um dia, espera. A tábua de marés não negocia, e uma terça com baixa ao meio-dia ganha de uma segunda com baixa às quatro da tarde sempre.
Perguntas frequentes
Quanto custa o passeio de volta à ilha em Boipeba em 2026? Cerca de R$250 por pessoa, preço tabelado pela associação de barqueiros. Almoço, bebida e ostra não entram, então reserve mais R$100 a R$150 por pessoa.
Precisa reservar o passeio de barco com antecedência? Na baixa temporada dá para fechar na véspera, na mesa da associação na Boca da Barra ou com a gente. Do fim de dezembro ao Carnaval, agende com dois ou três dias.
Qual passeio de barco de Boipeba vale mais se for fazer um só? A volta à ilha. Junta as piscinas de Moreré, a Ponta dos Castelhanos, o almoço na Cova da Onça e a parada das ostras no pôr do sol num dia de sete horas, por volta de R$250 por pessoa.
O passeio de barco depende da maré? Depende inteiramente. As piscinas naturais só aparecem por umas duas horas em torno da maré baixa, e a saída anda entre nove e dez para acompanhar. Peça para a gente olhar a tábua antes de escolher a data.
Escolha os dias pela maré, não pelo calendário. Veja os flats, diga suas datas e a gente diz em qual manhã as piscinas vão estar lá.