Nove da manhã, café tomado, e alguém do grupo faz a única pergunta que importa nesta ilha: qual praia hoje. Você está de chinelo, com uma bolsa e uma toalha dentro, e sem a menor ideia se a praia que passou pela sua cabeça fica a dez minutos a pé ou a um barco e um trator de distância.
A gente responde isso toda manhã nos flats, e a resposta sempre depende de três coisas: a maré, quanto você está a fim de caminhar e se você quer almoço servido. Então seguem as praias de Boipeba, uma a uma, do fim da nossa rua até a ponta da ilha, com como chegar em cada uma saindo de Velha Boipeba, quanto tempo leva de verdade, onde está a sombra e para quem cada uma serve.
Como a ilha é desenhada
As praias de Boipeba correm numa fila só, pelo lado leste, da vila até a ponta: Boca da Barra, Tassimirim, Cueira, Moreré, Bainema e Ponta dos Castelhanos, ao longo de mais de vinte quilômetros de costa.
Não tem carro. Você se move a pé, de trator, de quadriciclo ou de barco, e a própria areia é a estrada principal. Na maré baixa a fila toda se conecta e dá para ir da vila até Moreré em umas duas horas caminhando. Na maré cheia, alguns trechos somem e você sobe para a trilha ou espera.
Dois números para guardar a semana inteira, ambos de 2026: o trator até Moreré custa uns R$ 15 por pessoa, e o quadriciclo, de R$ 25 a R$ 30. Leve dinheiro; maquininha na praia depende do sinal do dia.
Boca da Barra: a praia no fim da rua
De Velha Boipeba: dois minutos a pé dos nossos flats, e nem precisa de sapato.
É onde o Rio do Inferno encontra o mar na frente da vila antiga, e é por isso que a água é calma e o fundo é de areia. O cais fica numa ponta, então você vê barco chegando e saindo o dia inteiro enquanto nada.
Sombra: amendoeiras no fundo da praia e os toldos das barracas. Comida: a mais confiável da ilha, com casas como Ponto da Barra e Toca do Lobo servindo peixe frito, moqueca e cerveja gelada ao longo do dia; a Toca do Lobo fecha no começo da tarde. Maré: na vazante aparece uma língua de areia na boca do rio e todo mundo vai fotografar; na boca em si a correnteza puxa, então nade ao longo da praia e não no canal.
Para quem é: todo mundo no dia da chegada. Família todo dia. Quem quer areia embaixo da mesa no almoço sem organizar nada.
Tassimirim: a primeira praia quieta
De Velha Boipeba: 20 a 30 minutos a pé para o sul, na areia firme, passando pelo trecho curto e pedregoso da Praia de Pedrinhas. Na maré cheia a faixa de areia afina e você sobe na trilha por alguns minutos.
A praia se abre numa meia-lua comprida, com coqueiros, água calma e, numa terça fora de temporada, quase ninguém.
Sombra: os coqueiros, no fundo da praia e não na beira d'água. Comida: normalmente uma barraca aberta, a Cabana da Gleide, que faz camarão ao alho e óleo e ensopados; fora de temporada pode estar fechada em dia de semana, então leve água. Maré: a caminhada é fácil na maré baixa e chata na cheia; calcule a volta.
Para quem é: casal, quem vai ler, quem achou a Boca da Barra sociável demais e não quer passar o dia se deslocando.
Cueira: a enseada dos coqueiros
De Velha Boipeba: 40 a 45 minutos a pé no total, ou seja, quinze minutos depois de Tassimirim.
A Cueira é o cartão-postal: uma enseada rasa, água limpa o suficiente para contar os dedos do pé e um dos maiores coqueirais preservados da ilha atrás dela. A água fica na altura da cintura por um bom pedaço, e é por isso que família com criança pequena termina aqui.
Sombra: boa, embaixo dos coqueiros no fundo. Comida: o melhor almoço de praia da ilha. O Guido's é famoso pela lagosta, e há outras barracas ao longo da praia, como a Sabor Tropical, que faz moquecas, além do Pastel da Carol. Várias funcionam principalmente na temporada; pergunte na véspera que a gente diz o que está aberto naquela semana. Maré: a enseada abre muito na maré baixa.
Para quem é: o dia longo e preguiçoso, família e quem quer um almoço muito bom com o pé na areia.
Moreré: a segunda vila e as piscinas naturais
De Velha Boipeba: seis quilômetros. Quatro jeitos de fazer.
- Trator saindo do Ponto da Tiririca, uns R$ 15 por pessoa cada trecho, de 30 a 40 minutos sacolejando pelo interior da ilha.
- Quadriciclo, de R$ 25 a R$ 30 por pessoa, uns 20 minutos, mais rápido e mais empoeirado.
- Barco saindo do cais, 20 a 30 minutos em dia calmo, combinado na véspera.
- A pé pela areia na maré baixa, umas duas horas via Tassimirim e Cueira.
Moreré é a outra vila da ilha: pousadas, igreja, campo de futebol entre os coqueiros e o motivo pelo qual a maioria dos visitantes vem. A um quilômetro da praia, na maré baixa, o recife drena e forma piscinas naturais onde você boia em cima do peixe com água na altura da cintura.
Sombra: irregular na praia, farta nos restaurantes da vila. Comida: simples e boa, com barracas e restaurantes de pousada servindo moqueca, bobó de camarão e peixe grelhado, quase sempre em pratos para dois. Maré: aqui tudo depende dela. As piscinas existem por umas duas horas em volta da maré baixa, e fora dessa janela não há o que ver. Nosso guia completo é as piscinas naturais de Moreré.
Para quem é: quem vai de máscara e snorkel, quem quer uma foto perfeita e quem gosta da ideia de uma segunda vila, menor, para passar uma noite.
Bainema: a praia longa e vazia
De Velha Boipeba: vá primeiro até Moreré e depois caminhe uns 20 minutos para o sul pela areia. De quadriciclo, saindo da vila, é meia hora no total.
Bainema é onde a costa se abre e as pessoas somem. A areia segue por quilômetros, o mar é mais aberto que o das enseadas e o vento tem serviço a fazer.
Sombra: pouquíssima, então leve chapéu e conte com o que encontrar. Comida: costuma ter uma barraca aberta no começo da praia, o Pontal do Bainema, mas não conte com isso fora de temporada. Maré: na vazante a areia fica dura e é a melhor praia da ilha para caminhar. O mar puxa mais aqui do que nas enseadas, então nade perto de outras pessoas e nunca na boca de rio.
Para quem é: quem caminha, quem fotografa e quem quer praia sem trilha sonora. Dois litros de água por pessoa e avise alguém para onde você foi.
Ponta dos Castelhanos: a ponta da ilha
De Velha Boipeba: o passeio de volta à ilha, cerca de R$ 250 por pessoa em 2026, embarcando na Boca da Barra por volta das 9h e voltando entre 16h e 17h30. Ou quadriciclo pela estrada de dentro, combinado na vila. Ou a pé desde Bainema, uma hora e meia na maré baixa, se você sair cedo e estiver disposto.
A ponta sul leva o nome de um navio espanhol que naufragou no recife no século XVI, história que cada barqueiro conta de um jeito. Hoje são um farol, um recife que forma piscinas na maré baixa, areia branca e o ponto de retorno do passeio clássico.
Sombra: quase nenhuma. Comida: as barracas simples funcionam nos dias de passeio, incluindo uma banca de pastel que virou parte do roteiro; nos outros dias, não conte com nada. Maré: as piscinas pedem maré baixa entre umas 11h e 14h para compensar a viagem. A gente confere a tábua com você.
Para quem é: o dia de barco, quem mergulha de snorkel e quem gosta de ficar de pé no fim de um lugar. Tem mais detalhe em Ponta dos Castelhanos.
As praias num quadro
| Praia |
Da vila |
Sombra |
Comida |
Mar |
Melhor para |
| Boca da Barra |
2 min a pé |
Amendoeiras, toldos |
Diária, confiável |
Calmo, boca de rio |
Dia da chegada, família, pôr do sol |
| Tassimirim |
20 a 30 min a pé |
Coqueiros |
Uma barraca, sazonal |
Calmo |
Banho quieto, almoço fácil |
| Cueira |
40 a 45 min a pé |
Boa, sob coqueiros |
Várias barracas na temporada |
Raso e claro |
Dia longo, criança |
| Moreré |
Trator R$ 15, quadriciclo R$ 25 a 30, barco ou 2 h a pé |
Irregular |
Restaurantes da vila |
Piscinas na maré baixa |
Snorkel, dormir fora |
| Bainema |
20 min depois de Moreré |
Pouca |
Uma barraca, incerta |
Aberto, com correnteza |
Caminhada, solidão |
| Ponta dos Castelhanos |
Passeio R$ 250, quadriciclo ou 1h30 de Bainema |
Quase nenhuma |
Só em dia de passeio |
Recife e piscinas |
O dia de barco |
Escolher a praia do dia em trinta segundos
- Maré baixa antes do meio-dia: Moreré ou Castelhanos. Essa janela é o motivo inteiro de ir.
- Maré cheia a manhã toda: Cueira, que é boa em qualquer nível de água, ou o dia de barco.
- Previsão de chuva: Boca da Barra, porque você volta para casa em dois minutos quando cair.
- Você quer almoço feito para você: Cueira ou Boca da Barra.
- Você não quer ninguém: Bainema, com a sua própria água.
- Primeira tarde, cansado de viagem: Boca da Barra, óbvio.
O que levar, escolha qual escolher
Água, mais do que você acha, porque só a Boca da Barra tem comércio perto. Dinheiro trocado. Protetor solar e chapéu de aba. Sapatilha de coral para Moreré e Castelhanos, onde o recife corta e pisar em cima mata o coral. Uma bolsa estanque se você for caminhar a fila inteira.
Nossos flats incluem kit de praia com cadeiras, guarda-sol e cooler, então são quatro coisas a menos para comprar. Veja o que cada um tem na página dos flats e, se você ainda não fechou a rota até a ilha, como chegar começa no aeroporto de Salvador.
Perguntas frequentes
Qual praia de Boipeba é a mais perto da vila?
A Boca da Barra. Ela começa no fim da rua principal de Velha Boipeba, a dois minutos do cais e da nossa porta, e tem a comida e a sombra mais confiáveis da ilha.
Dá para ir a pé de Velha Boipeba até Moreré?
Dá, pela areia na maré baixa, umas duas horas via Tassimirim e Cueira. Na maré cheia partes do caminho somem, então cheque a tábua antes, saia cedo e leve água. A maioria vai a pé e volta de trator.
Quanto custa o trator até Moreré?
Uns R$ 15 por pessoa cada trecho em 2026, saindo do Ponto da Tiririca, no fundo da vila, em 30 a 40 minutos. O quadriciclo fica entre R$ 25 e R$ 30 por pessoa e leva uns 20 minutos. Os valores são combinados localmente e mudam, então confirme com a gente no dia.
Todas as praias têm barraca com comida?
Não. Boca da Barra e Cueira são confiáveis, Tassimirim e Moreré costumam ter algo aberto, e Bainema e Castelhanos são incertas, principalmente fora da alta temporada. Pergunte na véspera e leve água de qualquer jeito.
Qual praia é melhor para criança pequena?
A Cueira, porque fica rasa por um bom pedaço e tem sombra de verdade, e a Boca da Barra, porque é calma e fica a dois minutos da sua porta. Bainema tem mais correnteza e fica longe de socorro; guarde para um dia de caminhada sem criança pequena.