São 6h40 no aeroporto de Salvador e você vê um casal arrastando duas malas rígidas grandes até a fila do táxi. A gente sabe exatamente onde aquelas malas vão parar: no ombro de um carregador no cais de Valença, depois por cima da borda de uma lancha, depois num carrinho de mão na areia da Boca da Barra. Arrumar mala para Boipeba não é arrumar mala para resort com lobby. Não tem estrada até a ilha, não tem carro depois que você desembarca, e o último trecho de qualquer rota é um barco. O que você traz, você carrega.
Esta é a lista que a gente manda para os hóspedes antes de embarcarem, escrita depois de anos vendo o que é usado, o que fica no armário e o que as pessoas gostariam de ter comprado em Salvador. Ela tem opinião de propósito. Se quiser a versão curta: mala leve, roupa que aguenta umidade e dinheiro em espécie.
Comece pela mala em si
A decisão mais importante não é o que vai dentro. É a mala. Uma mochila de 40 litros ou uma bolsa de lona com alça de ombro deixa o dia da chegada muito mais tranquilo do que uma mala de rodinha. O motivo, na ordem em que você vai encontrar cada obstáculo:
- O cais de Valença. Você desce da van num píer de concreto e depois desce para dentro da lancha. A bagagem passa de mão em mão. Rodinha não serve para nada.
- Boca da Barra. A lancha encosta na areia ou num pequeno trapiche de madeira, dependendo da maré. Dali é uma caminhada curta na areia e no calçamento até a Velha Boipeba.
- A vila. As ruas são de areia, terra batida ou pedra antiga. Rodinha afunda ou trava.
Se a mala de rodinha é a única que você tem, não entre em pânico. Os carregadores de carrinho esperam as lanchas e levam por alguns reais. A gente também organiza isso com antecedência, e é por isso que perguntamos o horário de chegada na reserva. Leia a página de como chegar por causa do horário da última lancha, porque mala pesada com lancha perdida é a pior combinação da viagem.
Dentro da mala, use dois ou três organizadores ou sacos com zíper. A umidade em Boipeba fica alta a maior parte do ano, e uma mala aberta na praia e fechada num quarto úmido cheira a mar em dois dias. Organizadores mantêm a roupa limpa selada.
Roupa: menos do que você pensa, e nada que precise de ferro
Quem fica uma semana com a gente raramente usa mais de cinco conjuntos. A ilha funciona de bermuda, roupa de banho e uma muda para o jantar. Uma semana para uma pessoa, cabendo em bagagem de mão:
| Item |
Quantos |
Por quê |
| Roupa de banho |
2 ou 3 |
Uma está sempre molhada. Sal e areia acabam com o elástico rápido. |
| Bermuda de secagem rápida |
3 |
Serve para praia e para a vila. |
| Camiseta ou blusa leve |
4 ou 5 |
Linho ou algodão fino. Nada sintético que segure calor. |
| Calça leve comprida |
1 |
Mosquito no fim da tarde, e a lancha pode ter vento. |
| Blusa de manga comprida ou moletom fino |
1 |
O catamarã de Salvador e a lancha das 7h podem ser frios. Sim, frios. |
| Roupa íntima |
7 |
Barato de trazer, chato de faltar. |
| Sandália que aguenta água |
1 par |
Havaianas ou parecida. Você vai viver nela. |
| Tênis ou sandália de trilha |
1 par |
Para a caminhada até a Ponta dos Castelhanos e qualquer trilha. |
| Chapéu |
1 |
Aba larga ganha de boné na lancha. |
| Canga |
1 |
Toalha de praia, toalha de piquenique, cortina, proteção de ombro. |
Deixe o jeans, deixe o que precisa de cabide, deixe o salto. Restaurante em Boipeba é chão de areia e mesa de madeira. Ninguém se arruma, e na única vez que você tentar, a umidade desfaz.
Sobre chuva. Entre abril e julho a ilha tem os meses mais molhados, e uma pancada pode chegar no meio de uma tarde limpa em qualquer época do ano. Uma capa de chuva fina e dobrável não pesa nada e transforma uma volta encharcada da Cueira em história em vez de problema. Guarda-chuva não serve na lancha nem no vento.
O que não existe para comprar na ilha
A Velha Boipeba tem mercadinhos, duas ou três farmácias com o básico e barracas vendendo canga e protetor a preço de ilha. Não tem supermercado, não tem banco, não tem caixa eletrônico, e não tem loja com a sua marca específica de coisa nenhuma. Traga de casa ou compre em Salvador antes de pegar o ferry:
- Repelente com DEET ou icaridina. O mosquito aparece no fim da tarde perto do mangue e nos jardins. As lojas locais vendem repelente, mas a variedade é pequena e o preço é maior. Um frasco cheio por pessoa para uma semana.
- Protetor solar FPS 50, de preferência que não agrida o recife. O sol a 13 graus ao sul do Equador é mais forte do que a maioria imagina. Toda semana a gente vê gente queimada no primeiro dia. Um frasco de 200 ml por pessoa por semana é realista.
- Remédio de uso contínuo para a viagem inteira mais três dias. Existe um posto de saúde na vila, aberto em dia de semana, e o hospital mais próximo fica em Valença, a uma lancha de distância. Ninguém vai aviar receita de outra cidade aqui com facilidade.
- Um kit de primeiros socorros básico. Curativo, antisséptico, antialérgico, algo para o estômago, sais de reidratação, remédio para enjoo por causa do catamarã.
- Dinheiro em espécie. Não tem caixa eletrônico em Boipeba. Cartão e Pix funcionam na maioria dos restaurantes e lojas, mas o sinal cai e a maquininha falha na hora exata em que você precisa. A gente escreveu um guia inteiro sobre dinheiro em Boipeba. Saque em Salvador.
- Solução de lente, itens de higiene específicos, absorvente da marca que você prefere. A farmácia tem o que tem.
- Carregador, adaptador, power bank. A tomada é padrão brasileiro, e a voltagem varia entre 127 V e 220 V conforme o prédio. Nossos flats têm tomada USB-C, mas traga o seu adaptador para o resto. O power bank importa porque a energia da ilha cai de vez em quando.
O que deixar em casa
Toda mala tem itens que faziam sentido na cidade e não fazem sentido aqui.
- Joia que você choraria se perdesse. Não por roubo, Boipeba é tranquila, mas porque água salgada e areia destroem as coisas, e anel escapa do dedo no mar.
- Notebook, a menos que vá trabalhar. Se for, leia o guia honesto sobre internet e trabalho remoto em Boipeba antes de prometer videochamada para alguém.
- Secador de cabelo. Os flats têm, e a umidade ganha de qualquer jeito.
- Cadeira e guarda-sol. A gente tem kit de praia para hóspede, e toda praia com barraca empresta ou aluga.
- Garrafão de água. Água filtrada fica no flat. Traga uma garrafa reutilizável e encha.
- Mais de um livro. Você vai ler na lancha, na praia, na rede, e mesmo assim não vai passar de um.
Kit de praia, a versão que funciona de verdade
Para o dia em Moreré, na Cueira ou em Castelhanos, a bolsa é pequena e específica. A gente monta isso toda manhã para a nossa própria família:
- Um saco estanque ou saco com zíper para celular, dinheiro e chave. Lancha molha. Onda surpreende.
- Sapatilha de recife ou sandália firme se for andar nos corais de Moreré na maré baixa. Corte de coral é o machucado mais comum que a gente vê.
- Máscara e snorkel se você tiver. Aluguel existe, mas é loteria.
- Canga, protetor, repelente, chapéu.
- Água e um lanche. As barracas servem peixe fresco e cerveja gelada, mas a caminhada até Castelhanos tem trechos longos sem nada.
- Notas pequenas. O barco de volta, a água de coco, o peixe frito na barraca, tudo funciona com troco.
O que vestir no dia da chegada
Uma palavra à parte sobre a viagem em si, porque ela é longa. Seja pelo catamarã via Morro de São Paulo, seja por ferry e van via Valença, você vai passar de cinco a oito horas em trânsito com vento, respingo, sol e uma ou duas esperas. Vista a calça comprida e a blusa de manga leve, deixe a capa de chuva no topo da mala, use sandália fechada em vez de chinelo para as escadas do píer, e guarde documento, dinheiro e celular num bolso que fecha. Coloque a roupa de banho por cima de tudo na mala: a primeira coisa que quase todo mundo faz depois que a gente entrega a chave é caminhar até a Boca da Barra e entrar na água.
Se o seu voo chega à tarde, leia isto antes de qualquer outra coisa: a última lancha de Valença sai às 16h. A gente explica todas as opções, inclusive dormir em Salvador, na página de como chegar.
Uma lista para tirar print
Documentos: identidade ou passaporte, comprovante da reserva impresso ou salvo sem internet, dados do seguro viagem, cartão de vacina se tiver.
Dinheiro: espécie para a estadia inteira mais uma margem, um cartão que funcione, Pix configurado.
Saúde: remédios com receita, kit de primeiros socorros, repelente, protetor, remédio para enjoo.
Roupa: cinco dias de roupa leve, dois ou três trajes de banho, uma muda comprida, uma peça de frio, capa de chuva, chapéu.
Pés: sandália de água, calçado fechado para trilha.
Equipamento: saco estanque, garrafa reutilizável, power bank, adaptador, snorkel se tiver, uma lanterna pequena para voltar por vielas sem luz.
Conforto: protetor de ouvido (galo existe), canga, um livro.
Perguntas frequentes
Tem lavanderia na ilha?
Tem. Várias casas na Velha Boipeba lavam e secam por quilo, em geral com devolução no dia seguinte, se o tempo ajudar. Peça ao nosso host e ele combina a coleta. Mais um motivo para levar menos.
Dá para comprar protetor e repelente em Boipeba?
Dá, nos mercadinhos e nas farmácias, mas a variedade é pequena e o preço é maior que em Salvador. Traga o seu e trate o estoque da ilha como reserva.
Preciso de sapatilha de água?
Para a vila e as praias principais, sandália basta. Para as piscinas naturais de Moreré na maré baixa e para os trechos de recife, a sapatilha evita os cortes que estragam férias.
Tem código de vestimenta em algum lugar?
Não. Até os restaurantes mais arrumados da vila aceitam pé descalço. Traga uma roupa em que você se sinta bem para o jantar e está resolvido.
E adaptador de tomada?
O padrão é a tomada brasileira de três pinos. A maioria dos carregadores modernos aceita 127 V e 220 V, mas confira o seu. Nossos flats têm USB-C ao lado da cama e da mesa.
Mala leve, chegada calma. Quando quiser ver onde tudo isso termina, dê uma olhada nos nossos flats na Velha Boipeba, a dois minutos do cais onde a sua mala finalmente descansa.